quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Tsipras: "A Grécia hoje pode ser Portugal amanhã"

O líder da Syriza diz que a "Grécia hoje pode ser Portugal amanhã", caso o país continue a seguir a austeridade determinada pela 'troika'.

"A Grécia está um ano, um ano e meio à frente de Portugal na recessão. Os países têm a mesma experiência, os mesmos inimigos e o mesmo tratamento da 'troika'", disse Tsipras à agência Lusa em São Paulo, durante a sua visita ao Brasil.

O líder da esquerda grega prevê que 2013 seja "o pior ano da recessão" no seu país, não só economicamente, mas também humanitariamente, devido ao alto desemprego e ao aumento do número de suicídios.

"Não temos que lutar somente contra os inimigos políticos, mas também contra o desastre social. Temos de criar acções solidárias neste momento", disse Tsipras.

Já em toda a Europa, o próximo ano será "crucial", segundo o líder grego, para quem, o recuo da crise irá depender de factores como as decisões do FMI (Fundo Monetário Internacional) e o resultado das eleições na Alemanha.

Caso as medidas de austeridade prossigam, afirmou, a situação só irá piorar.

Tsipras criticou a liderança alemã na Europa e afirmou que, embora prefira que o social-democrata Peer Steinbrück vença a chanceler Angela Merkel nas eleições de Setembro, não acredita que ele represente o rompimento com as actuais medidas de austeridade defendidas pelo país.

"Não acredito que haja uma possibilidade de que Merkel perca as eleições. Steinbrück terá posições parecidas e os eleitores vão preferir ficar com a original", declarou.

Tsipras e a delegação da esquerda grega ficam no Brasil até quarta-feira, quando partem para Buenos Aires. Integrada por 12 organizações da esquerda grega, a Syriza afirmou-se no cenário político do país nas eleições legislativas antecipadas de Maio, nas quais obteve o segundo lugar.

Após este escrutínio inconclusivo, o partido reforçou a sua votação nas eleições de Junho, obtendo quase 27% dos votos e a eleição de 71 deputados num parlamento de 300 lugares, a menos de três pontos dos conservadores da Nova Democracia (ND), que actualmente lideram o Governo de coligação na Grécia.

Diversas sondagens têm colocado a Syriza à frente das intenções de voto, quando a Grécia vai entrar no sexto ano consecutivo de recessão económica.

Fonte: Económico

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