quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O inesperado milagre económico do Ecce Homo de Borja

Imagem de Jesus Cristo tornou-se mundialmente famosa quando uma idosa a estragou ao tentar restaurá-la. Desde então mais de 35 mil pessoas foram à cidade para ver o quadro.

O que começou por ser uma tentativa amadora de restauro rapidamente se transformou num desastre artístico, mas mesmo destruída, a imagem de Jesus Cristo da igreja de Borja está a salvar a economia local, explica o autarca Francisco Miguel Avilla. 

Numa entrevista concedida ao jornal inglês “Daily Telegraph” o presidente da Câmara explica que a intenção inicial era pedir a peritos para virem avaliar os estragos e as possibilidades de recuperar a imagem original. Mas o sucesso do “restauro” obrigou-o a mudar os planos. 

“Temos tido multidões – 35 mil pessoas entre Agosto e Dezembro – a vir para cá só para ver o quadro. Pagam 1 euro para entrar, passam a noite e comem nos restaurantes locais. Ninguém está a enriquecer, mas o quadro está a manter as empresas locais à tona de água”, explica. 

No fim-de-semana a situação torna-se mesmo complicada, insiste. Nessa altura “é quase impossível comer nos restaurantes em Borja sem fazer reserva”. 

Menos contente está Cecília Giménez, que no Verão tentou restaurar o seu quadro favorito, munida de tinta, pincel e boas intenções, mas nada mais. A viúva de 82 anos até tem jeito para a arte, tendo feito algumas exposições, mas sabia pouco de restauro: “Estava só a tentar ajudar”, explica ao “Telegraph”, “queria restaurá-la à sua antiga glória. Mas as coisas começaram rapidamente a correr mal, a tinta foi absorvida pela humidade. Tudo se descontrolou.” 

Agora Cecília vê o sucesso causado pela sua versão do Ecce Homo, que significa Eis o Homem, apelidado pelos espanhóis de “Ecce Mono”, Eis o Macaco, e sente que também tem direito a uma percentagem dos lucros que estão a ser gerados. Está a ser negociado um acordo com a Igreja, que utiliza o dinheiro dos bilhetes para manter o edifício e para sustentar um lar de terceira idade com 73 idosos. 

O presidente da Câmara sublinha a vida difícil que levou Cecília, que ficou viúva cedo, perdeu um filho para uma doença degenerativa e actualmente cuida de outro que padece da mesma condição. Já a própria lamenta tudo o que se passou. “Enquanto artista queremos ser reconhecidos, mas não por criar algo de que não nos orgulhamos”, afirma. Mas tem mais um lamento em relação ao quadro: “Gostava pelo menos de ter tido tempo de o ter conseguido acabar como deve ser”.

Fonte: Renascença

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