segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Google poupa 1,5 mil milhões em impostos com as Bermudas

O Google conseguiu 80% do seu lucro de 2011 através da transferência das receitas para o paraíso fiscal das Bermudas.

A transferência de receitas no valor de 7,6 mil milhões de euros para uma filial nas Bermudas, quase o dobro do montante registado em 2008, permitiu à Google evitar pagar 1,54 mil milhões de euros em impostos, indicam os registos da subsidiária holandesa da empresa norte-americana, citados pela Bloomberg.

Segundo a agência, ao transferir de modo legal os lucros obtidos pelas suas subsidiárias no estrangeiro para as Bermudas - país que não tem uma taxa de IRC - a Google conseguiu na prática reduzir para metade o nível de impostos que paga. A mesma fonte precisa que a quantidade de dinheiro transferida para as Bermudas é equivalente a 80% do lucro antes de impostos registado pela empresa em 2011.

Os analistas alertam que esta transferência de capital poderá aumentar a indignação existente na União Europeia e nos EUA sobre a fuga aos impostos por parte das empresas. Neste momento, os executivos da França, Reino Unido, Itália e Austrália estão a investigar uma possível evasão fiscal por parte da Google, numa altura em que todos os governos procuram aumentar as suas receitas fiscais para enfrentar a crise económica.

"A estratégia fiscal da Google e das outras multinacionais é profundamente embaraçosa para os governos europeus. A consciência política agora existente no Reino Unido, e em menor escala no resto da Europa, é de que estamos numa situação de ‘nós ou eles'. O público compreende que, se o Google não paga, outros terão que fazê-lo, senão os serviços púbicos são cortados", afirma Richard Murphy, director da britânica Tax Research, citado pela Bloomberg.

Na semana passada, a Comissão Europeia aconselhou os Estados-membros a criar ‘listas negras' de paraísos fiscais e a adoptarem leis contra o abuso destes por parte das empresas. Segundo o comissário europeu para a fiscalidade, Algirdas Semeta, a fuga empresarial ao fisco, que custa um bilião de euros por ano à Europa, é um "escândalo" e "um ataque ao princípio fundamental da justiça fiscal".

Fonte: Económico

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