domingo, 2 de dezembro de 2012

Precários e desempregados já são a maioria da força de trabalho em Portugal

O número de precários e de desempregados em Portugal "ultrapassou a metade de toda a força de trabalho", atingindo 2,9 milhões, alertou hoje, em Lisboa, a Associação de Combate à Precariedade - Precários Inflexíveis (ACP-PI).

Os dados foram apresentados pela direcção da ACP-PI numa conferência de imprensa, em frente aos Armazéns do Chiado, realizada para assinalar o primeiro Dia Europeu de Acção Contra a Precariedade e a Injustiça Social.

Membros da direcção da associação falaram aos jornalistas e também realizaram várias acções de sensibilização em lojas do Chiado, onde entregaram panfletos baseados nos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).

Em declarações à agência Lusa, João Camargo, da ACP-PI, sublinhou que as estatísticas do emprego apontavam, no final do segundo trimestre de 2012, para uma situação inédita: "Pela primeira vez os precários e os desempregados ultrapassaram metade de toda a força de trabalho no país".

A ACP-PI foi criada há seis meses, após cinco anos de existência como movimento de defesa dos trabalhadores em situação precária, prestando apoio jurídico e fazendo denúncias públicas de violações de direitos laborais.

João Camargo sublinhou que o período que antecede a época de Natal "é o da exploração máxima dos trabalhadores no retalho: contratam-se pessoas por algumas semanas ou um mês, obrigadas a fazer horas extraordinárias não pagas, sem pausas para as refeições".

A associação verificou as estatísticas do emprego do INE nos últimos seis anos, e em particular desde a intervenção da troika em Portugal - em Maio de 2011 - concluindo que surgiram, desde essa data, mais 316 mil desempregados no país.

João Camargo acrescentou que também aumentou em 33 mil o número de trabalhadores em part-time, e perderam-se 90 mil empregos de trabalhadores contratados a prazo.

"Os trabalhadores devem denunciar as ilegalidades e chantagens a que são sujeitos, e para quebrarem o isolamento que tantas vezes sentem", apelou o dirigente da ACP-PI.

A entidade considera ainda que "o actual regime de austeridade permanente propõe para todos a precariedade, combinando a diminuição de direitos no trabalho com cortes abruptos no salário directo e indirecto".

Fonte: Lusa/SOL

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