quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Grécia aprovou lei de austeridade

Grécia, economia
Os deputados gregos aprovaram, com uma curta maioria, um plano plurianual de austeridade, exigido pelos credores internacionais de Atenas, apesar da contestação de mais de 70.000 manifestantes em frente ao parlamento.

Cumprindo as exigências da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) para que seja desencadeado o pagamento de uma nova tranche do apoio financeiro, mais de 150 deputados dos partidos conservador e socialista que apoiam o Governo grego de coligação aprovaram medidas que preveem cortes de mais de 18.000 milhões de euros até 2016.

No entanto, o Governo viu a sua maioria teórica de 176 lugares reduzida a 153 devido à dissidência de seis deputados socialistas e de um conservador. Quinze deputados do Dimar, o pequeno partido de esquerda moderada que integra a coligação, abstiveram-se, como já tinham anunciado, e o 16.º votou contra.

Toda a oposição - 128 deputados em 299 presentes - votaram contra o pacote plurianual que impõe mais medidas de austeridade até 2016.

A aprovação do programa era condição 'sine qua non' imposta pela UE e pelo FMI para retomar o pagamento das ajudas financeiras já acordadas com a Grécia, cujos cofres devem ficar vazios no final do mês. Atenas está desde 2010 a recorrer a empréstimos externos para evitar a falência.

Em frente ao parlamento, mais de 70.000 manifestantes concentraram-se para contestar mais austeridade e a polícia grega recorreu mesmo ao gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes, alguns dos quais tinham atiraram projéteis contra os agentes, constatou a agência France Presse.

A mobilização nas ruas, que respondeu a um apelo dos sindicatos e da oposição, decorreu no final de uma greve geral de 48 horas, que afetou sobretudo a indústria, os bancos, a administração pública, as escolas, os centros de saúde e os transportes terrestres e marítimos.

De acordo com o programa hoje aprovado, os gregos deverão trabalhar mais tempo, até aos 67 anos, além de que as reformas e as prestações sociais e de saúde foram também revistas em baixa.

O plano plurianual de austeridade reduz ainda até 27% os salários dos altos funcionários, fixando o salário bruto mensal excluindo subsídios nos 1.872 euros para o chefe de Estado-Maior do Exército e nos 1.459 euros para professores universitários.

O documento, com cerca de 400 páginas e um artigo único, prevê também a saída de milhares de funcionários, bem como uma desregulação acrescida do mercado de trabalho e dos serviços e um aumento dos impostos.

Os credores internacionais de Atenas suspenderam o pagamento de uma tranche de 31.200 milhões de euros, que faz parte de um empréstimo maior concedido anteriormente, um montante vital para garantir o funcionamento do país já no final deste mês.

O dilema - austeridade ou falência - foi já colocado aos parlamentares por três vezes desde 2010. Até aqui, os deputados têm optado pela via da austeridade, embora vários economistas de todo o mundo tenham já denunciado os perigos de uma resposta dada integralmente por esta via no combate à crise de dívida da zona euro.

Fonte: DN.PT

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