
O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, reconheceu ontem que Portugal só tem dinheiro disponível até Maio. "As necessidades de financiamento para o mês de Abril, estão cobertas, e mesmo para o mês de Maio não temos problemas. O primeiro grande momento de exigência será o mês de Junho e por isso também este é um timing que nos parece ajustado" para a entrada em vigor do programa de apoio europeu, reconheceu o governante numa entrevista à agência Reuters.
Contrariando declarações recentes, Teixeira dos Santos afirmou também que "nunca esteve em causa" que seria o Executivo a negociar com a troika: "Compete ao Governo, mesmo em gestão, proceder a essa negociação." Ainda assim, sublinhou a necessidade de haver "um compromisso do Governo, do partido que apoia o Governo mas também das outras forças políticas" para que o plano de austeridade imposto pela Comissão Europeia e pelo FMI se concretize.
O governante demissionário afirmou ainda que "o País tem de poupar". "Habituámo-nos, eu diria praticamente desde que entrámos na União Europeia, a ter um padrão de consumo claramente acima daquilo que é a nossa real capacidade de produção." Teixeira dos Santos foi mais longe: "Não é possível a um país estar sistematicamente a gastar 8 a 9 por cento acima daquilo que produz, é esse o aviso que nos estão a fazer."
AJUDA FINANCEIRA EXTERNA PODERÁ CHEGAR AOS 100 MIL MILHÕES
Os 80 mil milhões de euros de ajuda financeira externa a Portugal poderão não ser suficientes para satisfazer as necessidades do Estado e da Banca. Devido às dificuldades dos bancos portugueses se financiarem, o apoio financeiro a Portugal poderá ascender aos 100 mil milhões de euros.
Os próprios responsáveis europeus já admitiram que a ajuda financeira a Portugal poderá atingir os 80 mil milhões de euros, mas deixaram claro que ainda não há uma avaliação precisa das necessidades do País. Certo é que os banqueiros têm deixado claro que a Banca atravessa dificuldades de financiamento. Com o crédito malparado dos particulares a atingir quase 4,2 mil milhões de euros, teme-se, segundo apurou o CM, que a fragilidade da Banca exija um apoio financeiro mais elevado.
DISCURSO DIRECTO
"PARTIDOS DEVEM CHEGAR A ACORDO": Ricardo Salgado, Presidente da comissão executiva do BES em entrevista à RTP
- O que levou os bancos a mudar de posição quanto à necessidade um empréstimo intercalar?
Ricardo Salgado - Quando o Governo caiu e o PEC 4 foi reprovado, o que aconteceu foi a multiplicação da queda dos ratings, que sempre se referiam à incerteza política, e as taxas de juro dispararam...
- Os políticos estão conscientes da gravidade e à altura da situação?
- É fundamental o entendimento e seria uma irresponsabilidade total se os nossos políticos não se pusessem de acordo para negociarem em conjunto o programa.
- A CGD deveria ser privatizada?
- Eu sempre disse que a Caixa não devia ser privatizada, mas concedo que, se houver uma participação minoritária, que não tem de ser muito grande, para ajudar a Caixa a recapitalizar-se através da Bolsa, isso será positivo para a Caixa. Mas há muitas outras actividades para serem privatizadas.
Fonte: Correio da Manhã
Fonte: Correio da Manhã

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