
Os islandeses voltaram a rejeitar em referendo o pagamento ao Reino Unido e à Holanda da dívida originada pela falência do banco Icesave, apesar de o governo da Islândia ter garantido uma renegociação da dívida, com a extensão do prazo e uma redução dos juros. Os países credores vão avançar para os tribunais.
Em causa estão quatro mil milhões de euros, escreve o "El País". O Icesave era a filial no Reino Unido e na Holanda do Landbanski, banco nacionalizado pela Islândia no ano em que o país abriu falência devido à quebra do seu sistema financeiro. Nessa altura, o governo islandês garantiu os depósitos bancários existentes na ilha, mas não o fez em relação ao dinheiro que os seus bancos captaram no estrangeiro com a oferta de juros entre 5 e 6%.
Com este retorno, o Icesave captou milhares de euros em pouco tempo na Holanda e no Reino Unido. Os dois países garantiram os depósitos dos aforradores quando o banco faliu, mas exigiram à Islândia o retorno do dinheiro. Londres e Amesterdão dizem que a Islândia está a violar a norma do Espaço Económico Europeu, segundo a qual cada país tem de garantir os primeiros 20 mil euros de cada depositante, e está a discriminar os aforradores não islandeses.
No primeiro referendo, em 2009, o pagamento foi rejeitado por 90% dos votantes. Agora foram 60%, ainda que o governo tenha garantido que apenas uma pequena parte da dívida iria cair sobre os contribuintes - a maior parte do dinheiro viria da venda dos bancos nacionalizados - e tenha garantido a redução da taxa de juros para 3,3% e uma extensão do prazo para 2046.
A primeira -ministra, Jóhanna Sigurdardóttit, cujo governo de centro-esquerda poderá vir a demitir-se, considera que os votantes "elegeram a pior das opções".
Londres e Amesterdão vão avançar para os tribunais. "O tempo de negociar já é coisa do passado. A Islândia está obrigada a devolver-nos o dinheiro. Agora são os tribunais que vão decidir", vincou o ministro holandês das Finanças, Jan-Kees de Pager. "Temos tentado chegar a uma solução negociada. Temos a obrigação de conseguir com que nos devolvam esse dinheiro e vamos continuar a perseguir esse objectivo até o conseguirmos", afirmou por seu turno o número dois do Ministério do Tesouro britânico, Danny Alexander.

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