
Não há crédito. Nem para as famílias ou para as empresas. Segundo os dados do Banco de Portugal (BdP) esta quinta-feira revelados, a banca colocou um travão a fundo na concessão de crédito no País e é preciso recuar até 2003 para encontrar um montante de financiamento tão baixo como o que se verificou em Fevereiro último: 3,93 mil milhões de euros para novos empréstimos.
O boletim do BdP revela que em Fevereiro só foram concedidos 549 milhões de euros por parte da banca a famílias para crédito à habitação. É o valor mais baixo desde que o BdP começou em 2003 a divulgar os montantes de novos créditos. Para se ter noção desta quebra, em 2006 e 2007 este montante era em média quase o triplo: 1500 milhões de euros mensais. Com a crise soberana a complicar os canais de financiamento da banca, a concessão de crédito é cada vez mais difícil e mais cara. Fonte de um banco admite ao CM que “ou fechamos a torneira ou temos de cobrar mais”.
A confirmar esta realidade está o BdP que mostra um aumento dos encargos cobrados pelos bancos no boletim. Os juros dos novos empréstimos à habitação concedidos às_famílias voltaram a aumentar e estão agora em máximos de quase dois anos. A TAEG cobrada pelos bancos nos novos empréstimos à habitação em Fevereiro nos países da zona euro subiu para 4,14 por cento.
O crédito malparado voltou, mais uma vez, a aumentar. Em Fevereiro entre empresas e famílias a banca tem 9,5 mil milhões de euros em calotes : 2,96 por cento do total de crédito concedido.
Nas famílias o malparado ascende aos 4,19 mil milhões de euros e deverá aumentar com as previsões económicas a apontarem para a recessão combinada com as medidas de austeridade que serão aplicadas pelo Fundo Monetário Internacional.
Nas empresas, o malparado atinge os 5,31 mil milhões de euros.
O turismo marca contudo uma excepção, com as receitas do sector a crescerem 7,9 por cento em Fevereiro para os 390 milhões de euros, o valor mais alto desde 2008.
PORTUGUESES DEPOSITAM MENOS DINHEIRO NO BANCO
As famílias e empresas depositaram nos bancos portugueses 18 mil milhões de euros em Fevereiro. É uma quebra de quase 13 por cento face a Janeiro. Entre as famílias as poupanças colocadas nos bancos caíram 447 milhões de euros em termos mensais para os 9,1 mil milhões de euros. Nas empresas a redução foi de 2243 milhões.
Mesmo assim, a banca está a dar mais pelas poupanças. A taxa média dos juros dos depósitos das famílias subiram para o nível mais elevado desde Janeiro de 2009, fixando-se em 2,82 por cento.

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