
A maioria fica no Parlamento. Outros vão dar aulas ou estudar.
Um terço dos 73 deputados socialistas - cerca de 29% - desta nova legislatura são ex-ministros do Governo liderado por José Sócrates, que perdeu as eleições do passado dia 5 de Junho. Dos 16 ministros que integravam o anterior Executivo, mais de metade - nove - estão agora sentados na bancada dos deputados. O então primeiro-ministro e secretário-geral do PS colocou grande parte dos seus ministros e secretários de Estado nas listas a deputados e hoje a bancada ‘rosa' é composta por muitos desses notáveis. Destes novos deputados alguns estão mesmo a ter a sua estreia nas lides parlamentares, como deputados. É o caso das ex-ministras da Saúde, Trabalho e Cultura, Ana Jorge, Helena André e Gabriela Canavilhas, respectivamente.
Pelos debates, comissões parlamentares e grupos de trabalho vão passar deputados que até há pouco lideravam algumas das pastas que estarão no centro das reformas que a ‘troika' impôs. Mas, desta vez, estes mesmos deputados estarão na oposição a "emprestar" a sua experiência à bancada socialista.
Enquanto ministros estas pessoas "ganharam algumas competências importantes", entre as quais "visão estratégica e abrangente", refere o ‘managing partner' da empresa de ‘head hunters' Stanton Chase, José Bancaleiro.
Mas, à semelhança de anteriores legislaturas, ainda é possível que alguns ex-governantes socialistas venham a renunciar ao seu lugar de deputado. José Sócrates foi, para já, o único que tomou essa opção. Depois de seis anos como chefe de Governo, deverá ‘emigrar' para Paris, durante um ano, para estudar Filosofia, segundo o Expresso. No entanto, José Sócrates não confirmou esta informação. Teixeira dos Santos, o ex-ministro das Finanças que esteve no centro da polémica nos últimos meses devido ao pedido de ajuda externa, foi posto de fora das listas a deputados. Sem possibilidade de ocupar um banco no Parlamento, o ex- governante decidiu seguir uma vida profissional mais discreta e voltou a dar aulas de Economia na Universidade do Porto. Já Luís Amado, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, que se incompatibilizou com Sócrates em alguns momentos, voltou ao Tribunal de Contas, como auditor.
Os ministros, que não integraram as listas do PS, acabaram por regressar à actividade que antes exerciam. Dos 16 ex-membros do Executivo, cerca de seis vão agora ocupar o cargo de professores universitários. É o caso de Isabel Alçada, ex-ministra da Educação, que vai voltar a ensinar os estudantes do Instituto Politécnico de Lisboa. Também o ex-ministro que mais tempo esteve no Executivo - 16 anos - e que teve a seu cargo a pasta do Ensino Superior, Ciência e Tecnologia, Mariano Gago, regressa como docente catedrático ao Instuto Superior Técnico.
Para José Bancaleiro, existem vantagens para as universidades que podem contar com um ex-ministro no seu quadro de docentes. "Estes professores trazem reconhecimento e notoriedade" para as instituições de ensino. Além disso,vêm com "um conjunto de experiências que podem transmitir de forma mais prática para os seus alunos", reforça.
Mas, para além das universidades, também há vantagens para as empresas que contratam os ex-ministros. Segundo o ‘partner' da empresa de consultoria Heidrick and Struggles, Pedro Rocha Matos, enquanto governantes os ex-membros do Executivo "ganham conhecimento profundo do País e de economias internacionais". Além disso, "têm uma rede de contactos de decisores chave e conhecimento do funcionamento dos órgãos de decisão do País", acrescenta o especialista em ‘headhunting'.
Apesar de todas estas vantagens, os especialistas de recrutamento de topo não deixam de recordar "as críticas" no caso de Jorge Coelho, quando assumiu o cargo como vice-presidente do conselho de administração do Grupo Mota-Engil. José Bancaleiro refere que as empresas que optam por contratar ex-ministros "tendem a ser alvo de muitas críticas". Além disso, "a má imagem que têm todos os políticos" pode acabar "por afastar os clientes ou potenciais parceiros" de uma empresa, explica o especialista.
Fonte: Económico

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