segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Pepinos-do-mar podem reduzir doenças cardiovasculares

O consumo de pepinos-do-mar, invertebrados da família das estrelas-do-mar, pode contribuir para a redução de doenças cardiovasculares, entre outros benefícios, revela um estudo realizado no Centro de Ciências do Mar (CCMAR) da Universidade do Algarve. 

A investigadora Luísa Custódio disse à Lusa que as cinco espécies estudadas "contêm um baixo teor de gordura e um elevado teor proteico e a fracção lipídica (gorduras) é essencialmente composta por ácidos gordos polinsaturados, os quais se encontram associados a numerosos benefícios em termos de saúde, como redução da incidência de doenças cardiovasculares".

Uma destas espécies, de nome científico H. arguinensis, que existe na costa portuguesa entre Peniche e o Algarve e nos Açores e ainda no Mediterrâneo e na zona nordeste do Oceano Atlântico,contém ainda compostos com propriedades antioxidantes, acrescentou a cientista.

O estudo do CCMAR arrancou no início do ano com o objectivo de perceber se o consumo de determinadas espécies de pepinos-do-mar pode ser benéfico para a saúde humana e se aquelas espécies têm actividades biológicas relevantes.

A sua introdução na alimentação e tratamentos medicinais teve origem na Ásia, onde os pepinos-do-mar foram sobre explorados, estando a ser alvo de uma procura crescente na América, na Austrália e na Europa. São usualmente comercializados depois de secos com a designação de 'Bêche-de-mer'.

Os pepinos-do-mar, cuja dimensão pode ir dos 26 aos 50 centímetros, podem ser encontrados em zonas de baixa densidade, sobre fundos rochosos ou arenosos, e a sua fácil captura durante a maré baixa preocupa os investigadores, que receiam um aumento excessivo de captura.

Apesar de não serem uma iguaria presente nas cozinhas portuguesas, os pepinos-do-mar já começaram a ser capturados e comercializados para o exterior.

O estudo realizado pelo CCMAR focou-se nas espécies Holothuria mammata, H. tubulosa, H. polii, H. arguinensis e Eostichopus regalis, cinco das cerca de 1.400 espécies de pepinos-do-mar identificadas até ao momento.

Além das conclusões, este estudo lançou novas dúvidas que Luísa Custódio admite que possam dar lugar a novas investigações.

"Por exemplo, o perfil nutricional de determinada espécie irá variar significativamente com o seu habitat e com o tipo de processamento, por exemplo, a secagem ou o congelamento? Estas espécies apresentam outras características que lhes confiram interesse como fonte de compostos nutracêuticos ou como alimentos funcionais?", referiu, para exemplificar dúvidas que gostaria de aprofundar.

O estudo surgiu no seguimento dos projectos SEABIOMED (grupo MarBiotech, CCMAR), que avalia actividades biológicas de organismos marinhos, e o CUMFISH, que estuda o impacto das pescas em diversas espécies de pepinos-do-mar, liderado por Mercedes Wanguemert (grupo MAREE, CCMAR).

Ambos são financiados pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

Fonte: Correio da Manhã

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