sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Fúria anti-EUA espalha-se pelo mundo muçulmano

A fúria muçulmana contra os EUA continua. O incêndio da revolta intensificou-se na Tunísia, alastrou-se ao Sudão, Líbano, Nigéria e à Índia, com milhares de manifestantes a atacarem embaixadas e consulados. Em Kathroum, capital sudanesa, até os edifícios da Alemanha e Reino Unido já foram cercados.

Um incêndio desencadeado por uma faísca em forma de filme. Com o título (de tradução livre), A Inocência dos Muçulmanos, o filme ridiculariza o Islão e o Profeta Maomé, e agora está na base da ira que a população muçulmana tem dirigido aos edifícios diplomáticos das nações ocidentais no Médio Oriente e Norte de África. E a revolta vai-se espalhando.

Os EUA vão tentanto, sem êxito, esconder a causa destes males.

Tommy Vietor, um porta-voz do Conselho Nacional de Segurança norte-americano, revelou ao Washington Post que a Casa Branca pediu ao YouTube para rever o polémico filme, de modo a averiguar se viola, ou não, os seus termos de uso. 

Porém, a Google - detentora do site de partilha de vídeos -, retorquiu que «o vídeo respeita claramente as regras do YouTube e, por isso, será mantido no site».

Na terça-feira, um ataque ao consulado norte-americano em Bengazi, na Líbia, matou o embaixador Christopher Stevens, além de outros três diplomatas dos EUA.

E hoje, a violência começou a surgir no Líbano, país que partilha fronteiras com a Síria e Israel. Em Tripoli, a segunda maior cidade do país, centenas de manifestantes incendiaram um restaurante do Kentucky Fried Chicken (KFC), uma cadeia de fast-food norte-americana.

Um correspondente da BBC no local conta que «no caminho que os manifestantes faziam até uma praça» no centro da cidade, «passaram pelo KFC, atacaram a polícia, que fugiu, e depois começaram a atirar pedras e a partir os vidros». Pouco depois, já «havia chamas em todo o lado».

Esta onda de violência seguiu para outros restaurantes. Os últimos relatos apontam que, para já, uma pessoa morreu e outras 25 terão ficado feridas.

África 'acorda' 
Um novo surgiu foco no Sudão. Em Karthoum, a capital, perto de 5 mil manifestantes cercaram a embaixada norte-americana, a partir de onde a revolta depois alastrou às embaixadas da Alemanha, que chegou a ser parcialmente incendiada, e do Reino Unido. ABBC noticia já pelo menos um morto na sequência dos protestos.

William Hague, ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, exigiu ao embaixador sudanês em Londres, que «garantisse uma eficaz protecção, a todo o momento, dos edifícios diplomáticos» em Karthoum.

Mais a Oeste, em Jos, capital da Nigéria, milhares têm-se manifestado à volta das embaixadas dos EUA e de Israel, obrigando as autoridades a disparar tiros para o ar para dispersar as multidões.

Em Tunis, capital tunisina, onde os manifestantes conseguiram ontem entrar na embaixada norte-americana, contam-se dois mortos e quase 30 feridos. Hamadi Jebali, primeiro-ministro do país, falando à cadeia de televisão britânica, sublinhou porém que «é estritamente proibido responder com violência à violência».

Uma violência que incendiou uma escola localizada nos arredores da embaixada norte-americana. Os manifestantes voltaram a conseguir entrar no edifício diplomático, apesar dos veículos armados que foram colocados diante do portão. Ao entrarem, substituíram a bandeira dos EUA por uma outra, islâmica.

No Egipto, além da revolta presente no Cairo, capital, as autoridades recorreram ao gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes, começaram hoje a registar-se ataques na Península do Sinai, território do país que faz fronteira com Israel. 

Grupos e milícias armadas islâmicos atacaram alguns postos fronteiriços controlados por tropas norte-americanas.

Focos em Gaza e na Índia
Apesar de não existir qualquer representação diplomática norte-americana na Faixa de Gaza, o New York Times conta que outros milhares de pessoas se reuniram diante do parlamento na Cidade de Gaza, a capital, onde pisaram e rasgaram bandeiras dos EUA e Israel. Ouviram-se gritos de «Morte à América e a Israel».

Em Chennai, cidade indiana, cerca de uma centena de muçulmanos reuniram para arremessarem pedras contra o edifício do consulado norte-americano. As autoridades detiveram 86 pessoas.

O mapa dos protestos não se fica por aqui: existe fogos de violência em Saná (Iémen), em Bagdade (Iraque), em Damasco (Síria) no Bangladesh e no Afeganistão. E a revolta parece estar apenas a ganhar força.

Fonte: Sol

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