quinta-feira, 28 de março de 2013

Cientistas portugueses desenvolvem tratamento para cancro da mama

medicina
Uma equipa de investigadores portugueses está a desenvolver um novo tratamento para o cancro da mama, a partir da engenharia molecular, criando um anticorpo capaz de eliminar as células tumorais malignas.

A investigação, liderada por Paula Videira, venceu a sexta edição do Prêmio de Mérito Científico Santander Totta/Universidade Nova de Lisboa, no valor de 25 mil euros, que é entregue hoje, no auditório da reitoria da universidade.

Em declarações à agência Lusa, a investigadora explicou que o trabalho, a decorrer nos próximos dois anos, pretende, através da manipulação de anticorpos, juntar as células do sistema imunitário, designadas células T, com as do cancro da mama, para que as primeiras eliminem as segundas.

Os anticorpos são moléculas geradas pelo desencadear do mecanismo de defesa imunitária específica. Quimicamente, são glicoproteínas.

Segundo Paula Videira, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, o cancro da mama tem características que "criam um efeito imunossupressor", isto é, o sistema imunitário não consegue eliminar as células tumorais malignas, que progridem no organismo.

As células tumorais malignas expressam, neste caso, à superfície, glicanos - um tipo de açúcares - muito diferentes dos encontrados nas células normais e que se designam "sialil-Tn".

De acordo com Paula Videira, esta "expressão" verifica-se em 30 por cento dos casos de cancro da mama.

Contudo, explicou, as células do sistema imunitário, em vez de reconhecerem a aberração e eliminá-la, "não vão fazer nada".

O que a equipa de cientistas se propõe fazer é criar um anticorpo "bi-específico", que una as células específicas do sistema imunitário com as do cancro da mama e, ao mesmo tempo, "ative" as primeiras para eliminar as últimas.

Numa primeira fase, os investigadores vão "finalizar" o "fabrico" do anticorpo que vai reconhecer as células do cancro da mama, uma vez que, adiantou Paula Videira, "já existem anticorpos que ativam as células T", as células do sistema imunitário.

Posteriormente, será feita a caraterização do anticorpo das células tumorais, antes da sua junção com o anticorpo das células T.

O novo anticorpo gerado será testado "in vitro" em células humanas e, depois, em animais vivos, "capazes de receber células humanas sem as rejeitar".

Se for bem sucedida, a investigação pode ser, na opinião de Paula Videira, um "passo importante" para o tratamento, mais eficaz e menos tóxico, do cancro da mama, mas também dos cancros do estômago, do pâncreas e do cólon, que expressam igualmente glicanos "sialil-Tn".

Fonte: Diário Digital / Lusa

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