
Uma semana de pressão sobre a dívida da Itália; uma reunião de urgência da cúpula do euro; alastramento do nervosismo dos mercados aos títulos do tesouro espanhóis; um encontro de ministros da Economia e Finanças que dura oito horas mas que nada decide: uma sucessão de eventos em que os países da zona euro mostram ser incapazes de travar o contágio da crise da Grécia à Itália e à Espanha, titula hoje o El País.
Segundo o jornal espanhol, ontem os ministros só conseguiram chegar a acordo na redução dos juros aos países que já foram resgatados - Grécia, Irlanda e Portugal. Os responsáveis emitiram um comunicado vincando que "estão dispostos a adoptar novas medidas que melhoram a capacidade sistémica da zona euro para reduzir o risco de contágio"; mas não conseguiram chegar a um entendimento quanto à principal questão em cima da mesa: a participação do sector financeiro privado no segundo plano de resgate a Atenas.
Jean-Claude Juncker, primeiro-ministro do Luxemburgo e presidente do Eurogrupo, garantiu que "as propostas serão apresentadas aos ministros em pouco tempo", "tão depressa quanto possível", mas, escreve o El País, fontes comunitárias descartam a realização de outra reunião até ao final deste mês. A própria ministra da Economia espanhola, Elena Salgado, admite que a aprovação final do segundo plano de resgate à Grécia só deverá ser possível em Setembro. O comunicado emitido após a reunião inclui a posição do Banco Central Europeu (BCE), que é contra qualquer suspensão de pagamentos das dívidas por parte da Grécia, mas as palavras de nada serviram: hoje os juros exigidos aos países da periferia europeia, incluindo os gigantes Itália e Espanha, continuam a bater recordes.
Ainda segundo o El País, os ministros acordaram flexibilizar o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira, alargando a maturidade dos empréstimos e baixando as taxas de juro. E encarregaram o Eurogrupo de apresentar propostas para reforçar a resposta política à crise e "explorar as modalidades de financiamento do novo programa multi-anual de ajuste, os passos para reduzir o custo da dívida e os meios para melhorar a sustentabilidade da dívida pública da Grécia". Mas quanto ao acordo sobre um segundo plano de resgate a Atenas, previsto nas últimas semanas, nem um avanço. Tanto mais que a desestabilização dos mercados reforçou a posição do BCE, que é contra qualquer envolvimento dos privados que não seja voluntário. O BCE avisou que qualquer reestruturação da dívida que seja imposta pode ser considerada falência, mas, mesmo que a participação dos privados venha a ser voluntária, a agência de 'rating' Standard & Poor's já disse que esse cenário será igualmente considerado como falência.
Alemanha, Holanda, Finlândia e Áustria são quem mais insiste na participação dos privados. O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, propôs que a banca recompre a dívida grega por títulos a sete anos, mas o BCE opõe-se liminarmente a uma reestruturação imposta pelos governos, porque considera que os efeitos para a economia europeia serão mais devastadores que a falência do Lehman Brothers, que deu o empurrão final para a maior crise financeira global desde a II Guerra Mundial. Espanha e Itália cerraram fileiras ao lado do BCE.
Fonte: DN.PT
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