sexta-feira, 8 de julho de 2011

Crise: Funcionários Públicos afogados em dívidas

Trabalhadores do Estado com salários acima dos 1500 € e que viram os ordenados cortados até 10% estão a deixar de conseguir pagar os créditos.

O corte nos salários da Função Pública tem levado muitos trabalhadores do Estado com rendimentos mensais superiores a 1500 euros a recorrer ao Gabinete de Apoio ao Sobreendividamento (GAS) da Deco. A redução no rendimento disponível tem levado muitos quadros do Estado a deixar de pagar os créditos.

"A principal causa para o sobreendividamento continua a ser o desemprego, mas também os cortes salariais ao nível da Função Pública têm contribuído muito para esta situação", afirma ao CM Natália Nunes, responsável pelo GAS, adiantando que os pedidos de apoio por parte destes trabalhadores têm subido.

As causas apontadas pelas famílias que contactam a Deco mostram isso mesmo: 32,2% afirmam que a causa do sobreendividamento foi a falta de trabalho, enquanto 21,1% o justificam com a deterioração das condições laborais. O agravamento do custo de crédito, que até há meses não era fonte de preocupação, é apontado como justificação por 2% dos agregados.

Nos primeiros seis meses do ano, a Deco recebeu 10 753 pedidos de ajuda de famílias endividadas, número que quase duplicou em relação ao primeiro semestre de 2010 (7755). Destes, o GAS apenas abriu 2112 processos de reestruturação de dívidas, dado que a maior parte dos agregados está já numa situação irreversível.

"Há muitas situações em que o processo judicial já está praticamente na parte final quando nos procuram", acrescenta Natália Nunes. Apesar disso, em seis meses, o número de processos está já bastante próximo dos registados em todo o ano de 2010 – 2837.

"Na maior parte das vezes, falamos de famílias com meios financeiros mas que têm todos os rendimentos a ser absorvidos por créditos, ficando sem dinheiro para as restantes despesas", sublinha.

Do total de famílias que pediram apoio à Deco, 75% estavam já em situação de incumprimento. Três em cada quatro têm a prestação em atraso num período que vai até aos 6 meses. E 13% estavam em falta há mais de 12 meses. 

Fonte: DN.PT

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