terça-feira, 5 de julho de 2011

Juros: Saiba quanto vai aumentar a prestação da casa

As taxas Euribor deverão continuar a subir até ao final do ano.

Quem tem um crédito à habitação está a sentir a subida dos encargos com a casa há vários meses. E a factura promete ficar ainda mais pesada nos próximos tempos. Quem tem, por exemplo, um crédito à habitação no valor de 150 mil euros a pagar em 30 anos, com um ‘spread' de 1,5%, indexado à Euribor a três meses e revir este mês a prestação da casa, irá pagar 631 euros. Mas no final de Dezembro, os encargos mensais deverão subir para os 668 euros. Ou seja, mais 37 euros face aos actuais valores.

Este aumento da factura com o crédito à habitação foi calculado com base nos contratos de futuros negociados sobre a Euribor a três meses, na NYSE Liffe. Através destes contratos é possível perceber que os agentes de mercado esperam que em Setembro a Euribor a três meses se situe nos 1,765% (um valor que compara com os actuais 1,563%) e em Dezembro atinja os 1,935%.

A tendência de subida das taxas Euribor é corroborada pelos especialistas consultados pelo Diário Económico. Apesar das taxas interbancárias já estarem a incorporar a provável subida que o BCE deverá fazer na taxa de juros de referência da zona euro - elevando-a dos 1,25% para os 1,5% - todos acreditam que o caminho das subidas das Euribor ainda não terminou.

Vinay Pranjivan, economista da Deco, avança com algumas explicações: "Pela leitura dos gráficos e dos números vemos que há uma tendência de subida das taxas Euribor. E não há no horizonte nenhum factor que indique que esta tendência possa ser interrompida". Além disso, o especialista acredita que enquanto permanecer a incerteza e o risco em torno da situação da Grécia dificilmente as Euribor vão aliviar. Além destes factores há que ter em conta um outro dado: o mercado conta que o BCE proceda a um novo aumento da taxa Refi antes do final do ano.

"Aquilo que está descontado no mercado pressupõe uma subida de 0,25 pontos percentuais na reunião [desta semana] e mais uma subida de 0,25 p.p. até ao final do ano, ficando assim a taxa de juro directora nos 1,75% no final do ano", adianta Diogo Serras Lopes, director de investimentos do banco Best. Também Filipe Garcia, presidente da IMF, e o economista João Cantiga Esteves afirmaram, em declarações ao Diário Económico, que o caminho das taxas Euribor é só um: o das subidas.

Mas poderão estes aumentos colocar em causa a capacidade das famílias portuguesas em cumprir com os seus compromissos junto da banca? Vinay Pranjivan acredita que a subida dos juros "será difícil de gerir para muitas famílias porque há uma restrição dos orçamentos em virtude de um menor rendimento disponível". Mas alerta: "Todos nós devemos estar preparados para estes aumentos, porque eles são cíclicos". Já Diogo Serras Lopes, refere que apesar de qualquer subida do custo de crédito ter um impacto negativo nos orçamentos familiares, a verdade é que "as taxas de juro de mercado, como a Euribor três meses e Euribor a seis meses, já incorporam estas subidas e, como tal, parte do efeito já estará a ser sentido pelos orçamentos familiares".

Fonte: Económico

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