Toda uma família sequestrada e espancada em casa, de madrugada, em Bemposta, Alenquer; um jovem assassinado à facada, perto de Borba, já de noite. Dois crimes brutais, anteontem, associados pelas investigações da Polícia Judiciária a guerras relacionadas com droga. Tanto os autores como as vítimas estão há muito referenciados com o tráfico.
Primeiro, pelas 05h00, seis homens armados com caçadeiras invadiram a moradia de Margarida Carla, 37 anos, e do companheiro, Isaías, com a mesma idade. As vítimas dormiam, tal como dois dos quatro filhos da mulher, quando o gang se fez anunciar arrombando portas e destruindo todo o recheio da casa. Margarida foi espancada - e Isaías, suspeito em processos por tráfico de droga na região de Alenquer, terá conseguido escapar.
A PJ ainda pensou que tivesse sido raptado pelo gang, mas o homem deu ontem sinal de vida, informando os investigadores de que fugira e passara a noite sozinho, em parte incerta. Diz não encontrar explicação para o crime, mas há indícios de que foi alvo de um ajuste de contas por causa de droga.
Também sábado, pelas 19h30, na pacata cidade de Borba, o negócio do tráfico de droga acabou em tragédia para Rui Carrilho, 30 anos. Ao recusar comprar estupefacientes com uns óculos de sol e cinco euros, sofreu uma navalhada no tórax, desferida por um dos três homens que estavam a traficar perto da EN4, entre Terrugem e Borba.
A esvair-se em sangue, Rui foi transportado no seu carro até aos Bombeiros de Borba por um homem presente na discussão. Ao entrar no quartel, pelo seu próprio pé e a gritar por socorro, caiu junto ao parque de viaturas e morreu.
Três horas depois do homicídio, a GNR local deteve dois suspeitos do crime, ambos residentes em Borba. Um foi mais tarde libertado e apenas o autor material do crime acabou entregue à PJ de Lisboa.
"O RAPAZ GRITOU E CAIU NO CHÃO"
Elvira Capela estava em casa, próximo do quartel dos Bombeiros de Borba, quando ouviu um homem a chamar por socorro, anteontem ao início da noite. "Quando saí, ele estava a gritar muito aflito, com a mão no peito, e depois, ao entrar no quartel, caiu no chão", recorda.
Joaquim Branco, segundo comandante dos Bombeiros de Borba, diz que os voluntários que estavam de serviço foram logo ao encontro da vítima, no parque de viaturas, mas nem tiveram tempo de o socorrer. "Só disse ‘ajudem-me' e, quando nos preparávamos para iniciar os primeiros socorros, entrou em paragem cardiorrespiratória", referiu. Nos minutos seguintes, foram feitas manobras de reanimação, sem sucesso. O óbito acabou por ser declarado no quartel, cerca das 20h00, tendo o corpo sido transportado de madrugada para a morgue de Elvas.
A família aguarda agora pela conclusão da investigação da Judiciária. "Só aí vamos saber o que se passou. Acredito que foi morto à traição porque ele era capaz de dar cabo dos três homens", referiu, apenas, o pai, Joaquim Carrilho.
"CRIMES NÃO PARTICIPADOS"
Sequestros, extorsões e raptos, com agressões físicas, fazem parte da criminalidade não participada às polícias que integra "as cifras negras", e que corre sempre à margem das estatísticas policiais. Em entrevista ao CM, no início deste ano, a procuradora Cândida Vilar, que coordena a Unidade Especial de Combate ao Crime Violento do DIAP de Lisboa, explicou que esta criminalidade não participada está "associada sobretudo ao controlo da droga no mundo da noite. São guerras de território por parte dos grupos". Crimes que, na opinião de Cândida Vilar, subiram em 2010.
Fonte: Correio da Manhã
Fonte: Correio da Manhã
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